domingo, 9 de outubro de 2016

Ainda a dêixis...



1.jpg (300×168)


Eis algumas explicações adicionais às do manual.


A. Encontrei parte da primeira nas páginas 268-269 da gramática Domínios (Texto Editora):


"Através das coordenadas geográficas (latitude, longitude, norte, sul...) e da crescente sofisticação da tecnologia, é possível localizar, ao pormenor, no espaço e no tempo, aviões, barcos, pessoas, animais... Algo de similar fazem os falantes, por intuição natural, há milhares de anos, inscrevendo nos seus enunciados marcas de identificação pessoal e de localização no espaço e no tempo."


O locutor e interlocutor na interação comunicativa (em alternância) identificam os seus papéis (eu - a pessoa que fala; tu - a pessoa que me escuta), demarcam o espaço do seu campo de visão ou mostração (aqui, aí, traz/leva, assim...) e delimitam o tempo (agora, antes, depois...).


B. De https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/, consultado em 9/10/2016, retirei o seguinte esclarecimento:


"As formas registadas pelo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa são díxis e dêixis, criadas a partir do grego ‘deîksis,deíkse,ós’ «citação, demonstração, prova, exposição», cognato, isto é, derivado do mesmo vocábulo ou raiz que o verbo grego, ‘deíknumi’ «mostrar» (...).


Segundo o Dicionário Terminológico, a deixis constitui um fenómeno de referenciação através do qual se usam palavras cujo sentido é sempre renovável, porque remetem para a situação de enunciação (isto é, procurando uma simplificação, o momento em que se fala). A deixis é, pois, uma propriedade linguística do discurso que permite que, relativamente a cada situação de comunicação, existam marcas que identificam o sujeito que fala (sujeito da enunciação), aquele ou aquela a quem se fala (o interlocutor), o tempo e o espaço de enunciação, os objectos, entidades e processos constitutivos do contexto situacional e a referenciação dos signos utilizados no discurso. Deste modo, o pronome eu é definido como aquele que diz eu, tu como aquele a quem eu me dirijo, agora como o momento em que eu falo, aqui como o espaço em que eu falo, isto como o objecto que está ao pé de mim, que falo, etc. Têm referenciação deíctica as seguintes classes de palavras:


 


• Pronomes pessoais 
• Pronomes e determinantes possessivos 
• Pronomes e determinantes demonstrativos 
• Artigos 
• Advérbios de lugar e tempo 
• Tempos verbais 
• Algumas unidades lexicais ( 
ir/ vir, chegar)"


 


C. Ainda no Ciberdúvidas, encontra-se a seguinte reflexão: "Falar em deixis textual é pressupor (com base num raciocínio analógico) que o texto é um espaço mental idêntico ao campo mostrativo situacional: também num texto há um aqui, um lá e um agora:


«Chegados aqui, paramos


atalhamos, suspendemos.


A história tem tantos anos


e nós ainda a tememos.»


(António Torrado – A História da Carochinha e do Infeliz João Ratão, Civilização)


 
N.B. Os sublinhados, assim como alguns cortes, são da minha responsabilidade. A imagem provém de http://3.bp.blogspot.com/.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Entre "você" ou nada, é melhor "nada"


Se no português do Brasil o "você" continua a usar-se sem quaisquer restrições, como podem ver neste vídeo, já em Portugal esta forma de tratamento pode ferir suscetibilidades. Reparem nesta resposta do "Ciberdúvidas":


Observe-se (…) que, desde há alguns anos, no Portugal onde a forma de tratamento vós já não é hábito, os falantes mostram alguma relutância em empregar vocês como sujeito de frase, procurando, tal como acontece com você, que a forma de tratamento nunca seja instanciada; ou seja, recorre-se às formas verbais de 3.ª pessoa, mas não se realiza o sujeito. É, portanto, muito mais prudente (e até delicado) perguntar a alguém «não se quer sentar?», sem explicitar a forma de tratamento, do que dizer, interrogando, «você não se quer sentar?».

In https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/, consultado em 5/9/2016




Esclarecimento de dúvidas...


... a propósito da classificação do elemento sublinhado na frase "Já que me não querem ouvir os homens" podem ler na resposta ao utilíssimo "consultório linguístico" Ciberdúvidas (consultado em 4/10/2016). Destaquei a sublinhado e negrito os testes a fazer em caso de ambiguidade:


"As funções dos pronomes
"Gostaria que me explicassem quando é que os pronomes pessoais me, te, se, nos e vos têm a função de complemento direto ou quando é que têm a função de complemento indireto.”
A função destes pronomes está intimamente relacionada com a estrutura argumental do verbo da oração ou da frase a que pertencem, uma vez que tudo depende dos argumentos que esse verbo exige e com os quais estabelece uma determinada relação gramatical — a de complemento direto ou a de complemento indireto.
Os pronomes que têm a relação gramatical de complemento direto constituem o objeto lógico dos verbos transitivos, como, por exemplo, adorar, agarrar, atacar, chatear, compreender, descobrir, detestar, enganar, entender,esquecer, estudar, imaginar, matar, ouvir, queimar, querer, recordar, sentir, supor, ter, ultrapassar, ver. Repare-se nas seguintes frases:
«Ele viu-me na praia.»
«Eu ultrapassei-te.»
«Os teus pais compreenderam-me.»
«Os nossos amigos adoram-te.»
«Eles detestam-nos.»
«O mecânico enganou-vos.»
«Ela estudou-nos durante muito tempo.»
«Ela agarrou-te.»
«Tu ouves-me.»
Como formas de se identificar o complemento direto, podem ser usados os seguintes testes:
a) formular uma interrogativa sobre o complemento direto segundo o esquema Quem/O que é que Sujeito Verbo?
Por exemplo:
Na frase «Ele viu-me na praia».
P.: Quem/O que é que ele viu na praia?
R.: Eu [me].
b) O complemento direto de uma frase ativa tem, na passiva correspondente, a relação gramatical de sujeito.
Por exemplo:
Na frase «Ele viu-me na praia».
Frase passiva: «Eu fui vista na praia por ele.»
Por sua vez, o constituinte com a relação gramatical de complemento indireto é tipicamente o argumento interno de verbos de três lugares — ditransitivos/transitivos diretos e indiretos [como, por exemplo, anunciar, apresentar,comprar, dar, dizer, mostrar, oferecer, pedir, pagar, vender, trazer] — ou de verbos de dois lugares ou transitivos indiretos [como acudir, agradar, assistir, concordar, convir, obedecer, pertencer, repugnar, suceder]. Por exemplo:
«Ele deu-me um livro.»
«Os miúdos pediram-te a bicicleta.»
«Eu comprei-te um bolo.»
«Elas trouxeram-nos flores.»
«A exposição agradou-me.»
«Essa data convém-vos.»
«Ele sucedeu-te no cargo de presidente.»
«Os médicos assistiram-me.»
Para identificação do complemento indireto, aconselha-se o seguinte teste:
a) pode formular-se uma interrogativa sobre o constituinte com a relação gramatical de complemento indireto segundo o esquema A quem/A que é que sujeito verbo?
Por exemplo:
Na frase «Ele deu-me o livro».
P.: A quem é que ele deu o livro?
R.: A mim [me].

 




terça-feira, 4 de outubro de 2016

Correção TPC (elementos de origem latina e grega)



1Q 2L 3M 4P 5R 6Z 7T 8S 9B 10N 11E 12U 13W 14V 15X 16C 17A 18H 19G 20Y 21I 22D 23J 24K 25O 26F


1N 2J 3Q 4U 5V 6S 7P 8M 9W 10X 11C 12E 13G 14R 15D 16T 17L 18A 19Y 20B 21K 22Z 23H 24O 25F 26I

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Glossário


Clímax |cs|
(latim climax, -acis, do grego klimax, -akos, escala)


1. Ponto ou grau máximo, mais alto ou mais intenso de algo. = ÁPICE

4. [Cinema, Literatura, Teatro, Televisão]
Momento de maior intensidade na ação, que vai acelerar o desfecho.

5. [Retórica]  Gradação crescente.

 

Anticlimax


1. [Cinema, Literatura, Teatro, Televisão]
Momento que se segue ao clímax e contrasta com ele na intensidade da ação.

2. [Retórica]  Gradação decrescente.

3. Facto, cena ou situação que corresponde a uma frustração ou deceção em relação às expectativas
 de um momento de clímax.


In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008.2013, https://www.priberam.pt/DLPO/anticlimax [consultado em 28-09-2016].

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Cenário de correção do teste de diagnóstico


CENÁRIO DE RESPOSTA
GRUPO I
1. a. F – (O sujeito de enunciação é o trovador enamorado.);
b. F – (Enquanto nas cantigas de amor, a mulher é um ser divinizado, quase inatingível, pertencente à aristocracia, a donzela das cantigas de amigo é um ser terrestre, de cariz essencialmente popular.);
c. F – (Essa é uma das temáti­cas mais frequentes das cantigas de amor.);
d. V.
2.1. (A); 2.2.( C).
3. a. moças ; b. alcoviteiras; c. escudeiros; d. judeus; e. clero.
4. a. Petrarca; b. divino; c. Natureza; d. amor; e. encanta­mento;
f.locus amoenus; g. testemunha; h. desconcerto; i. mudança; j. pessoal; k. temáticas.
5.1.(C). 5.2.(A).
6. a.V; b. V; c. F – (Situa-se na segunda metade do século XVI, aquando da colonização do Brasil e da implementação da Rota das Especiarias.)
GRUPO II
1. (D); 2. (C); 3. (D); 4. (B); 5.(A); 6. (C); 7. (A).
8. Sigla.
9. Cabeça no ar; cabeça na lua; cabeça de alho chocho.
10. Gastronomia, gastroenterite, gástrico, …
GRUPO III
160108114941_oetzi_the_iceman_south_tyrol_museum_of_archaeology_640x360_southtyrolmuseumofarchaeology_nocredit.jpg (660×371)
Proposta de síntese.
Uma análise ao conteúdo gástrico da múmia Ötzi, des­coberta em 1991 e que se julga ter cerca de 5300 anos, permitiu descobrir que, na altura do seu assassinato, nos Alpes italianos, Ötzi estaria contaminado por uma bactéria da espécie Helicobacterpylorique, atualmente, é a respon­sável por um conjunto muito variado de doenças gástricas. A descoberta permitiu ainda perceber que, ao contrário do que se esperava, a estirpe encontrada na múmia não possuía vestígios da estirpe africana, aquela que mais se assemelha à dos europeus, mas sim da que atualmente vigora em regiões do centro e do sul da Ásia. Estes dados acabam, assim, por contrariar a ideia de que o homem do Neolítico seria portador de uma mistura entre as estirpes africanas e asiáticas, o que acarreta também implicações em termos daquilo que se sabe hoje sobre a evolução da espécie humana. (143 palavras)

Glossário

Aduzir 
verbo transitivo

Apresentar, expor.

Dedução

1. Acto de deduzir.
3. Resultado, consequência, ilação.
4. Raciocínio ascendente (da causa para os efeitos ).
5. Exposição que fundamenta pedido ou impugnação.

Discernimento

1. Faculdade de discernir.
2. Critério.
3. Juízo.
4. Escolha.
5. Distinção.
6. Apreciação.

Indução

4. Consequência tirada dos factos que se examinam.

Perorar
verbo intransitivo
1. Concluir ou fechar a oração ou discurso.
2. Falar em estilo oratório.
3. [Figurado]  Pedir com instância ou eficazmente.

In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt [consultado em 27-09-2016].