terça-feira, 27 de outubro de 2015

Cantigas de amigo

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"Num registo (...)  popular ou burguês, a cantiga de amigo é um género autóctone, cujas origens parecem remontar a uma vasta e arcaica tradição da canção em voz feminina, tradição que os trovadores e jograis galego-portugueses terão seguido, muito embora adaptando-a ao universo cortês e palaciano que era o seu. Desta forma, a voz feminina que os trovadores e jograis fazem cantar nestas composições remete para um universo definido quase sempre pelo corpo erotizado da mulher, que não é agora a senhor mas a jovem enamorada, que canta, por vezes num espaço aberto e natural, o momento da iniciação erótica ao amor. Desta forma a velida (bela), a bem-talhada (de corpo bem feito) exterioriza e materializa de formas várias, formas essas enquadradas numa vivência quotidiana e popular, os sentimentos amorosos que a animam: de alegria pela vinda próxima do seu amigo, de tristeza ou de saudade pela sua partida, de ira pelos seus enganos – os sentimentos que o trovador ou o jogral lhe faz cantar, bem entendido. Compostas e geralmente cantadas por um homem (se bem que possa ter havido igualmente vozes femininas a cantá-las), as cantigas de amigo põem em cena um universo feminino alargado, do qual fazem ainda parte, como interlocutoras da donzela, a mãe, as irmãs ou as amigas. Formalmente, as cantigas de amigo recorrem frequentemente a uma técnica arcaica de construção estrófica conhecida como “paralelismo”, a apresentação da mesma ideia em versos alternados, com pequenas variações verbais nos finais desses mesmos versos, e são quase sempre (em 88% das cantigas conservadas) de refrão.


Lopes, Graça Videira; Ferreira, Manuel Pedro et al. (2011-), Cantigas Medievais Galego Portuguesas [base de dados online]. Lisboa: Instituto de Estudos Medievais, FCSH/NOVA. [Consulta em 27/10/2015] Disponível em: <http://cantigas.fcsh.unl.pt>.

domingo, 18 de outubro de 2015

Resolução da síntese


 

    Luísa Costa Gomes apresenta a utilização das fardas como um fenómeno em constante mudança.
    Se, em tempos, a sociedade lutou pela liberdade do traje e abandono dos uniformes, considerados rebaixantes e atentatórios da individualidade da pessoa, agora as fardas surgem associadas a marcas, funções e locais de trabalho.
    Segundo a autora, atualmente a farda é conotada com eficácia, transformando a pessoa num ser superior.

 (64 palavras)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Viagem no tempo

Um endereço muito recomendável a que podem aceder clicando aqui.


Nobre, jogral com cítola, rapariga



Para folhear (sim, folhear) o Cancioneiro da Ajuda cliquem aqui.


Para folhear o Cancioneiro da Biblioteca Nacional cliquem aqui.


Para folhear o Cancioneiro da Biblioteca Vaticana, cliquem aqui.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Síntese


Síntese: redução de um texto ao essencial por seleção crítica das ideias-chave (mobilização de informação seletiva, conetores); manutenção do tema e da informação significativa, encadeamento lógico dos tópicos tratados, correção linguística.


  • Redução do texto em +/- 1/4 do original, mas mantendo a neutralidade, a fidelidade e a coerência do texto original
  • Mantém o assunto e as ideias principais do texto original
  • As palavras ou expressões chave mantêm-se na maioria dos casos
  • A informação do texto original é apresentada de acordo com o seu grau de importância
  • Os tempos verbais e as pessoas gramaticais podem ser alterados relativamente ao texto original
  • Há substituição de palavras ou expressões por sinónimos mais curtos
  • As orações subordinadas relativas podem ser substituídas por adjetivos, nomes, particípios ou gerúndios
  • O texto é apresentado na terceira pessoa, com possíveis referências ao autor, destacando as suas opiniões ou intenções
     

  O prazer das fardas

Sei que é quase impossível imaginá-lo, mas houve de facto uma altura na História do Mundo em que o uniforme foi um fenómeno socialmente mal visto. Aí há uns trinta anos lutou-se pela liberdade do traje e tudo foi largando as fardas, batas, hábitos e costumes que se consideravam humilhantes e ofensivos à consciência da unicidade do utilizador. A começar pelo que, já em declínio, se chamava pessoal doméstico, as escolas, restaurantes, autocarros e o exército propriamente dito borbulhava então de uma gente garrida e à sua vontade que tratava imaginativa o tema do uniforme, avivando com flores em locais desconcertantes, lenços à pirata e todo o género de toques pessoais uma vida em sociedade até aí pequenita e sempre igual.
   Mas a liberdade tem muitos perigos e muitas ameaças  e o mundo voltou, diríamos que por instinto, à uniformização protectora do uniforme. Do McDonald’s aos Correios de Portugal, passando por estudantes e donas de boutiques, hoje tudo veste farda, naquela noção mágica de que farda é competência e assumindo sempre que uma pessoa com farda é mais do que uma pessoa.

 

Luísa Costa Gomes               (182 palavras)

1.º teste de avaliação

Educação Literária
Ler e interpretar textos de diferentes géneros e graus de complexidade

Utilizar procedimentos adequados ao registo e ao tratamento de informação

Ler para apreciar criticamente textos variados
Poesia trovadoresca (cantigas de amigo)



Leitura

Ler e interpretar textos de diferentes géneros e graus de complexidade

Utilizar procedimentos adequados ao registo e ao tratamento de informação

Ler para apreciar criticamente textos variados
Elementos paratextuais


Escrita

Planificar a escrita de textos
Escrever textos de diferentes géneros e finalidades

Redigir textos com coerência e correção linguística
Rever os textos escritos
Síntese













Estudar para o teste

Caderno diário, onde está registado TUDO o que foi escrito no quadro.


Manual: páginas  de 28 a 53


Caderno de atividades: páginas de 3 a 5


Caderno de apoio ao estudo: página 3; páginas de 18 a 20

terça-feira, 29 de setembro de 2015

As dúvidas do Ruben

Encontrei no Ciberdúvidasuma resposta que vem ao encontro das angústias do Ruben do 10.º E
Assim, à pergunta Um milhão e meio de reais foi ou foram gastos nas reformas???", Wallace Lara respondeu "Considero que deverá ser utilizado o verbo no singular: «Um milhão e meio de reais foi gasto nas reformas.» ou «Foi gasto um milhão e meio de reais nas reformas.». 
Esse singular da forma verbal decorre do facto de o sujeito (um milhão e meio) estar no singular. 
Há, no entanto, gramáticos que defendem poder empregar-se nestas situações o verbo no plural (concordando com “reais”). Tratar-se-ia de uma silepse (concordância segundo o sentido, e não segundo a sintaxe), ou seja, a concordância do predicado não se faria com o sujeito, mas com outra palavra que desempenha a função de complemento daquela que exigiria a sintaxe. Neste caso, «de reais» é complemento determinativo (adjunto adnominal) de «um milhão e meio», e seria com essa palavra que o predicado concordaria. 
Temos, pois, neste tipo de frases, duas possibilidades de construção, a que corresponde um diferente matiz de significação. Quando se utiliza o verbo no singular, salienta-se o conjunto, o colectivo, o todo (que é o sujeito); quando no plural, evidenciam-se os elementos que constituem o todo. 
Neste caso particular, parece-me que o relevo é conferido ao milhão e meio no seu conjunto, e não aos reais, pelo que se me afigura preferível a manutenção da concordância sintáctica."